terça-feira, 18 de agosto de 2009

Um pouco de Pablo Neruda


Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem nãoouve música, quem não encontra graça em si mesmo.

Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quemnão se deixa ajudar.

Morre lentamente quem se transforma em escravo dohábito, repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca,não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.

Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere onegro sobre o branco e os pontos sobre os "is" em detrimento de umredemoinho de emoções, justamente as que resgatam o brilho dosolhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz,quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de umsonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vidafugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se dasua má sorte ou da chuva incessante.

Morre lentamente, quem abandona um projeto antes deiniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou nãoresponde quando lhe indagam sobre algo que sabe.

Morre lentamente...

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